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A Literatura Brasileira Corrigir Redação


Princípios básicos:

1. O erro é uma oportunidade para que se dê o processo ensino-aprendizagem. Não fazer drama em cima do erro do aluno: banho de sangue.

2. Ninguém erra voluntarimanete. Não inibir o aluno de escrever, mesmo que erre muito. 

3. Escrever para alguém corrigir é uma situação artificial. Ninguém escreve para as gavetas. A função social da linguagem.

4. Uma boa correção começa numa proposta de redação bem elaborada. Estabelecer critérios previamente.

5. Discutir o conteúdo, mas privilegiar a forma.

6. A importância do rascunho. A necessidade de um portador.  Reescrita do texto avaliado.

7. Fazer exercícios microestruturais: estruturação do período e do parágrafo.

8. A obediência às regras da Gramática Normativa é apenas um aspecto a ser avaliado, não é tudo. 



Professora de redação 
é uma educadora 
do pensamento e da interioridade

Escrever é um ato individual e solitário. É o momento em que se fecham as portas do exterior e se abrem as portas do mundo interior para nele o indivíduo mergulhar.

E essa tarefa não é tão simples. As pessoas não estão acostumadas a viver sós com seus pensamentos e sensações. Procura-se de uma forma ou de outra alternativas que favoreçam um contato mais constante com uma realidade física ou social. Recorre-se a situações que conduzam a uma comunicação seja como emissor, seja como receptor. A própria tecnologia de comunicação (televisão, rádio, telefone, cinema) oferece aos indivíduos oportunidades para fugir a uma situação de solidão.

Se o estar só assusta as pessoas, é evidente que o ato da escrita, uma atividade essencialmente solitária, também assusta as pessoas. Ao se colocar diante de uma folha em branco, o indivíduo perde um contato mais estreito com a realidade física e social e embarca só para um vôo em seu universo interior.

Quem não está acostumado a realizar este vôo se perde no emaranhado de suas idéias, pensamentos e sentimentos. O mundo interior está confuso e desorganizado. Não se sabe qual caminho a seguir. Não se sabe o que existe neste mundo tão próximo, mas ao esmo tempo tão distante.

 Mesmo que o objeto da escrita seja um acontecimento, algo relacionado a uma realidade basicamente física, é difícil para o indivíduo escrever. Isto porque a realidade interior somente adquire significado e organização a partir de uma realidade interior. E o escrever significa reorganizar a realidade exterior sob o prisma da realidade interior.

 Dentro desse quadro, fica difícil entender a proposta de uma redação que não seja antecedida de uma preparação adequada. A professora que exige dos alunos uma redação porque eles estavam tendo atitudes indisciplinadas, ou o professora que simplesmente escreve na lousa um tema e, sem muitos ou qualquer comentário, pede aos alunos que escrevam, esta professora certamente não está oferecendo aos alunos as condições mínimas para o ato da escrita. É evidente que a maioria dos alunos terá sérias dificuldades para escrever. Faltou aquecimento para o ingresso no universo interior. Faltou preparação mínima para um contato inicial com as idéias, os pensamentos e os sentimentos. E o aluno entra cego no seu mundo interior e nada vê. Conseqüentemente, escreverá coisas tão confusas ou superficiais quanto confuso e distante será o seu interior.

 Por isso, a professora de Português ou polivalente têm o papel fundamental de ensinar ao aluno o mergulho em sua interioridade e os caminhos do raciocínio.

(in Metodologia do Ensino de Redação, Hermínio Sargentim) 



Uma boa correção
começa com
uma proposta bem elaborada

Se a professora quiser dar condições aos alunos para que desenvolvam bem os temas da redação, precisa dar algumas orientações, por exemplo, indicar o gênero que será utilizado.

 Mas isto não será tolher a imaginação e a criatividade das crianças?
Freqüentemente, com medo de restringir demais acaba-se por propor tarefas extremamente abertas. É o caso das redações com tema livre.

A professora acredita que “se for livre e aberto”, é mais fácil e permite que o aluno desabroche sua criatividade. É um equívoco.
 Restringir, do ponto de vista cognitivo, não significa colocar limitações, mas viabilizar o avanço. Para  chegar a ser um grande autor, músico ou pintor, é preciso dominar os conhecimentos básicos característicos de cada área do conhecimento.

 Sempre que a professora colocar algumas restrições, ela estará orientando o aluno e permitindo que a qualidade da resposta seja melhor. Caso contrário, pede-se à criança que tome decisões em relação a muitos aspectos ao mesmo tempo:

1) conteúdo;

2) forma de apresentar o conteúdo;

3) questões de ordem gráfica (diagramação);

4) ortografia;

5) estruturação do texto

6) clareza das idéias. 

 É muita coisa! Se o aluno já tem alguns desses problemas resolvidos, fica mais fácil produzir um texto de melhor qualidade.

 Veja alguns exemplos:

1. Escreva um texto dissertativo em três parágrafos, dando sua opinião sobre o racismo:

1º§ - Introdução: ponha a sua opinião.
2º§ - Desenvolvimento: justifique sua opinião.
3º§ - Conclusão: retome à introdução, dando seu argumento final.

2. Reconte em 3ª pessoa o texto lido, cujo narrador está em 1ª pessoa.

3. Descreva a escola, obedecendo ao seguinte esquema: 
1º§ - Introdução: visão panorâmica da escola.
Desenvolvimento:
2º§ - A entrada e as dependências administrativas.
3º§ - As salas de aula.
4º§ - As demais dependências: biblioteca, cozinha, laboratório.
5º§ - O pátio e equipamentos: mictórios, quadra, cantina, zeladoria.
6º§ - Conclusão: visão geral com um toque subjetivo. 

 Com uma proposta bem definida, a correção fica mais fácil, tira o seu caráter subjetivo. Assim possibilita que os próprios alunos a façam em grupo, conforme será visto posteriormente.

(Hélio Consolaro, professor do Ensino Médio) 



Sem rascunho, não é possível 
(As várias versões de um texto.)

Após a fase de preparação por seminário, discussão, dramatização ou mesmo explicação da professora, elaborar o rascunho deve ser um caminho natural. A professora deve exigir a apresentação do rascunho anexo ao texto definitivo. Isto se faz necessário para criar o hábito. 

 O aluno precisa saber o motivo da exigência e a utilidade do rascunho, pois tal fase é feita naturalmente pelo escritor, pelo jornalista, pelo advogado. Só os broncos e arrogantes dispensam o rascunho.

 Precisa ficar bem claro para o aluno que o rascunho não é apenas uma exigência chata da professora, assim como ele precisa saber usá-lo. Se o aluno mecanicamente passa do rascunho para o texto definitivo, sem uma leitura crítica (sua ou de seu colega) ele de fato vai se tornar uma atividade enfadonha.

 Como forma de educar o aluno para a feitura do rascunho, é bom pedir para cada um entregá-lo a um colega para que olhos estranhos procedam à revisão. Quando a redação é feita em casa, peça para o aluno “deixar o texto dormir”, ou seja, só passar a limpo horas depois ou no dia seguinte. Assim, ele ganhará distanciamento crítico e descobrirá os erros que seriam despercebidos caso passasse o texto a limpo imediatamente.

 A professora poderá também elaborar uma ficha de auto-avaliação, apontando aspectos que devem ser observados na revisão do rascunho. Ou, senão, a ficha usada de avaliação em grupo em sala de aula poderá ser usada como roteiro de auto-avaliação.

É importante a professora priorizar na avaliação de cada redação determinados aspectos nos quais os alunos têm apresentado maiores dificuldades. Por isso se diz que uma boa proposta facilitará a correção. 

A importância
de um portador

 É importante para o aluno ter um portador, ou seja, onde passar a limpo a última versão. Até mesmo ter um caderno só para passar a limpo todos os seus textos, formando um livro.

 O texto só deve ser lançado no portador após a avaliação dos colegas e até da professora, pois a reescrita, consertando os erros apontados, é que vai proporcionar de fato a aprendizagem. 

 Seguir todas as fases da composição de um texto em sala de aula leva tempo, mas o seu resultado é promissor. Afinal, a criança entra na escola para aprender a ler e a escrever, por isso as aulas consumidas nesta tarefa não é perda tempo. 

(Hélio Consolaro, professor do Ensino Médio)
 



O erro,
muitas vezes, 
é o começo
do acerto

Qualquer criança aprende uma quantidade enorme de informações por dia. O cotidiano das crianças das escolas, em especial as mais pobres, não é nada condescendente: ou aprender a se virar, ou as poucas portas abertas rapidamente se fecham. No entanto, estas mesmas crianças são tratadas pela escola como se tivessem muita dificuldade em assimilar informações.

 Alunos que assistem a um documentário interessante ou conversam com alguém que lhes explica o funcionamento de algum aparelho ou os mecanismos de um fenômeno natural, são perfeitamente capazes de reproduzir essas informações. Aceitamos a idéia de que, diante da tevê, a criança aprende e dentro da escola a tratamos como se fosse outra pessoa. No entanto, o processo de aprendizagem é o mesmo em todas as situações.

 Será que essa insistência em fixar, no sentido de esgotar o aprendido, através da repetição, não acaba fazendo com que a escola se torne sinônimo de algo tedioso e sem sentido? 

 A professora deve trabalhar acreditando que a criança é capaz e encoranjando-a nesse sentido. Isto significa partir do pressuposto de que, exceto em casos excepcionais, o aluno sempre utilizará, no seu cotidiano, as informações que recebe na escola.

 Mas, e se por falta de fixação, a criança errar? Nesse caso, é preciso lembrar que a presença do erro no processo de aprendizagem não só é inevitável, como também cumpre um papel importante. Com isto não se quer dizer que o avanço do aluno só ocorre em função de seus erros. Em grande parte das vezes o êxito  também é motor de avanço. É importante, sim, evidenciar que por trás de alguns tipos de erros se esconde uma concepção, funcionando como quadro de referência para a interação com novas informações. 

 Não se pode transformar o erro na tônica do ensino. O que compete à professora é sempre dar o modelo correto e indicar o uso adequado, obviamente desde que isto não signifique “passar por cima” do processo do aluno.

 Na maioria dos casos a produção de um erro indica em si mesma um nível de conquista. Ele sempre se refere a um momento evolutivo no processo de conhecimento da criança.

(Ler e Escrever, um grande prazer! Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas - CENP- 1993)



Trabalhar
o conteúdo, 
mas enfatizar mais a forma

A criatividade de um texto não está apenas no conteúdo. Muitas vezes podemos ter idéias de conteúdo extremamente originais e não saber como dar forma a essas idéias, ou seja, transformá-las em um texto que valha a pena ser lido. Isso acontece porque não se conhece a estrutura do texto, as várias possibilidades de lhe dar forma.

 Conteúdo e forma são dois ingredientes igualmente determinantes. Para equilibrá-los, é preciso desmembrar as tarefas que a escrita de um texto requer em diferentes etapas, para capacitar os alunos a desempenhar melhor a atividade.

 São muitas as possibilidades de intervenção sobre a forma do texto.
 A professora pode:

1.  limitar o tamanho da texto; 

2.  o tempo para escrever; 

3. pode determinar o destinatário (a quem dirigir o texto);

4. definir o gênero;

A idéia é de priorizar aspectos da produção formal de uma redação. 
 Assim,  não focalizar no trabalho com texto apenas o conteúdo, cuja preocupação fundamental é dar informações sobre determinado assunto. O importante é priorizar a forma.

A preocupação aqui é estabelecer a ponte entre o  procedimento em sala de aula e o julgamento da produção dos alunos posteriormente.

Se a professora tiver claro os aspectos apontados nesse capítulo, estará necessariamente mais preparada para avaliar o trabalho dos alunos. 
Saberá “separar o joio do trigo”, no sentido de saber identificar as vantagens e desvantagens que um texto apresenta. Estará menos vulnerável a critérios subjetivos. E a avaliação cumprirá o papel de informar sobre as necessidades da criança ao invés de ser um mero julgamento arbitrário. 

(Ler e escrever, um grande prazer! Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, CENP)



Avaliação compartilhada
(também chamada de avaliação em grupo)

A  avaliação compartilhada é fruto de uma postura nova da professora. Ela vê seus alunos com amor, trabalha contente, é vocacionada para o magistério. A mestra sabe que mais aprende do que ensina com aquelas crianças ou jovens, por isso na sala de aula não predomina o jogo de gato e rato, ela procura criar um ambiente fraterno, sem abrir mão de sua autoridade. 

 Assim, a avaliação é um momento alegre, sem tensão. Não se faz drama com os erros. Assim, o rascunho da redação é trocado entre os alunos para que a revisão seja feita com olhos diferentes do autor do texto.
 Rascunho e texto definitivo ficam na mesma folha. Passado o rascunho a limpo, o professor recolhe as folhas, organiza a classe em grupo, faz uma preleção dos aspectos mais importantes a serem avaliados, pede para os alunos apontarem todos erros a lápis no texto definitivo do colega, assim como as observações do grupo.  A professora põe os critérios variáveis na lousa ou em ficha. Os textos classificados, que atenderem ao aspescto estrutural, serão divididos em três grupos:
A - Ótima (A)
B - Boa (B)
C - Regular (C)

 Os textos desclassificados (não atenderam à proposta = aspecto estrutural) serão lidos pela professora após a avaliação do grupo ser aceita pelo aluno avaliado. A mestra chamará o autor de cada texto desclassificado para que refaça a sua redação de acordo com a proposta. 

Se houver alguma dúvida do aluno avaliado, ele procura o grupo avaliador para receber explicações. A professora só entra no conflito quando for chamada.

 Os nomes dos componentes do grupo avaliador devem constar da ficha ou ser marcado a lápis na própria folha de redação do colega. A professora, em vez de escalonar os textos classificados,  pode reduzir a classificação em duas faixas: classificados/desclassificados.

 A professora pode ler silenciosamente uma redação de cada grupo, aleatoriamente. Caberá a ela inventar em cima do método, como ir trocando as redações de grupo em grupo para que todos leiam todos os textos da classe.

 Os textos “classificados”serão passados a limpo no portador. A professora deve sempre recomendar que todos os erros apontados pelos colegas devem ser corrigidos na hora da reescrita. 

 Esta técnica, além de aliviar a professora do trabalho maçante e, às vezes, ineficiente, faz com que os alunos entrem em contato com textos dos colegas que atenderam à mesma proposta de um jeito totalmente diferente: mais criativo, com humor, etc. Na próxima redação, com certeza, ele vai melhorar alguma coisa. 

Para pensar 
 A professora de Português e a P. I não têm o direito de não dar redação a seus alunos, alegando falta de tempo de corrigir os textos depois. É melhor fazer uma avaliação às carreiras,  meio “porca”, do que privar os alunos de pensarem, de organizarem suas idéias, de terem vida interior. 
 Quem escreve sempre conhece bem a si mesmo. A professora precisa dar redação a seus alunos. É uma forma de construir cidadãos conscientes. E disso os maus políticos não gostam. 

(Hélio Consolaro, professor do E nsino Médio)


Avaliação tradicional, mas melhorada

1º passo: estabelecer o objetivo da atividade, comunicar aos alunos os aspectos a serem avaliados. Tudo isso deve estar na proposta de redação.

2º passo: exigir o rascunho, estimular a revisão do mesmo. Se a situação permitir, fazer com que haja a troca de textos entre os alunos, ou seja, uma revisão compartilhada. 
Importante: o rascunho pode ser feito num dia, em sala de aula. A professora recolhe-os, sendo que a revisão compartilhada é feita em outro dia.

3º passo: fornecer o portador provisório (folha de papel almaço ou folha especial de redação) para que o aluno passe o seu texto a limpo.

4º passo: recolher os textos definitivos para que o professor possa corrigi-los.

Avaliação
propriamente dita

5º passo: separe as redações em três grupos:

Grupo A: a professora deverá colocar as redações em que os critérios foram plenamente atendidos. A estas redações a avaliadora deverá atribuir conceitos A ou B (notas de 8 a 10).

Grupo B: a avaliadora deverá colocar as redações em que apenas alguns dos critérios foram atendidos e atribuir conceitos  B ou C (notas de 5 a 7). 

Grupo C: ficam as redações em que nenhum (ou quase nenhum) dos critérios foi atendido. A pontuação destas redações variará de C a D (notas de 3 a 5). Os alunos deste grupo refarão seus textos como atividade de recuperação.

Aspectos invariáveis 
Estes aspectos deverão ser avaliados em todos os textos, independente da proposta. Após a separação das redações nos grupos A, B e C, o avaliador deverá analisar, em cada uma das redações, o que segue:

1. Apresentação gráfica.

2. Emprego adequado dos recursoss de coesão/coerência.

3. Organização adequada dos parágrafos.

4. Utilização/adequação dos sinais de pontuação.

5. Correção de grafia.

6. Acentuação gráfica.

7. Flexão/concordância.

A variação entre B/A (8 e 10), C/B (5 e 7), D/C (2 e 4) se deverá à qualidade do texto quanto aos aspectos acima. 

Como apontar os erros

 Há erros que devem ser escritos pela professora, geralmente aqueles de caráter estrutural. Quando a correção é feita de forma tradicional, o aluno sempre espera uma observação escrita do professor.

 Já os erros gramaticais podem ter um tratamento diferente. Eles poderão ser apontados de várias formas, até com a caneta vermelha da professora. O ideal seria a professora indicar a linha do erro para que o aluno o descobrisse depois.

 O dia da entrega da redação avaliada pela professora é especial, pois ela fará comentários de caráter geral, que tipo de erro a classe está cometendo mais, conversará particularmente com alguns alunos, receberá bem qualquer tipo de reclamação, explicará o motivo da nota obtida. 

 Não fazer escândalo, nem que os erros sejam escandalosos. Se possível comentar na lousa os erros mais crassos, sem dizer de quem são. Facilitar que cada um encontre o erro cometido e corrija-o. Fazer com que cada um, depois de os erros serem corrigidos, passe o texto no portador defintivo.
Recuperação 

 Os alunos do grupo C terão oportunidade de fazer outra redação depois de ouvir todos os comentários, descobrirem por que erraram. A primeira nota poderá ser substituída pela segunda. Afinal, o aluno vai à escola para aprender, a nota é uma questão decorrente.

(Hélio Consolaro, professor do Ensino Médio)



 

 A professora deve corrigir 
o texto como uma orientadora

A  professora deve assumir diante de uma redação a postura de um orientadora, evitando ser uma simples corretora de redação. Não se lê uma redação, no processo de desenvolvimento da escrita, com o objetivo de avaliar o texto do aluno, mas sim com o objetivo de comentar, sugerir, orientar o aluno. Como orientadora, evita-se uma postura arbitrária, dogmática, que faz da profesora a “dona da verdade”. De preferência, a professora deve colocar-se na posição de um leitor, que está ao lado do aluno para ajudá-lo, para discutir com ele o texto produzido.

 A avaliação de uma redação não deve restringir-se simplesmente ao aspecto gramatical do texto. Tem sido muito freqüentemente na correção de redações corrigir-se apenas os erros gramaticais: ortografia, concordância, pontuação. À medida que o professor corrige apenas esse aspecto, é evidente que, para o aluno, o insucesso da redação foi determinado por falhas gramaticais. Então ele concluiu que não sabe escrever, porque não sabe gramática. 

Essa conclusão do aluno é alimentada pelo professor e também por muitos cursos de redação que enfatizam o conhecimento gramatical como pré-requisito para se escrever bem. Ora, quase todos os professores sabem, de uma forma mais ou menos consciente, que o problema redacional não reside na gramática. Se isso fosse verdade, seria muito fácil ensinar o aluno a escrever: ensina-se gramática. 

Ocorre que a escrita exige outras habilidades, fundamentgais que ultrapassam a correção gramatical. Por esse motivo, as anotações presentes numa redação devem preocupar-se com estes outros aspectos relacionados com a composição do texto, não se restringindo tão somente à gramática. 

 Os comentários que a professora faz numa redação não devem ter a pretensão de esgotar todos os aspectos negativos que o texto apresenta. O ideal seria que, em cada redação corrigida, o professor priorizasse um ou outro aspecto para comentar com maior ênfase, de tal forma que o aluno pudesse entender o que está falho em seu texto e fosse orientado para a auto-correção. Isso ofereceria ao aluno condições para incorporar critérios de releitura e reescritura do próprio texto, possibilitando um aprimoramento gradativo. Para se atingir esse nível de orientação didática, exige-se da professora: 

a) clareza nas anotações registradas nos textos dos alunos;

b) conhecimento dos aspectos que decidem o sucesso ou o insucesso de um texto;

c) definição dos objetivos a serem alcançados numa dada série ou em etapas de uma série.

 A atribuição de nota ou de concedito a uma redação deve estar restrita aos critérios presentes na ficha de avaliação que foram analisados e comentados anteriormente com os alunos. É importante que o aluno tenha conhecimento claro sobre quais aspectos ele será avaliado. Se ocorrer um outro aspecto observado pelo professor, mas que não tenha sido apontado anteriormente ao aluno, o professor fará os comentários, não o considerando para atribuição de uma nota ou de um conceito.
(in Metodologia do Ensino de Redação, Hermínio Sargentim.) 


Roteiro de avaliação

 Esta ficha pode ser entregue aos alunos no início do ano, quando é a professora quem faz a avaliação dos textos, pois assim saberão o que será exigido deles no decorrer das atividades de redação.
 Os itens abaixo também podem ser usados como elementos de uma ficha de auto-avaliação ou de avaliação em grupo. Esta ficha não está pronta, ela pode ser modificada, alterada, simplificada, de acordo com a vontade dos alunos ou do professor. 

Aspecto estético
Observar:
a) legibilidade da letra
b) paragrafação
c) margens regulares
d) travessão
e) ausência de rasuras

Aspecto gramatical
Observar:
a) ortografia
b) acentuação
c) concordância
d) pontuação
e) colocação pronominal
f) regência verbal

Aspecto estilístico 
Observar:
a) repetição de palavras
b) frases longas
c) emprego de palavras desnecesssárias
d) uso inadequado do pronome “onde”
e) presença de elementos (conectivos) da língua falada.
f) Emprego repetitivo das palavras “que”, “porque” e “mas”
g) prolixidade

Aspecto estrutural
 Este aspecto é diferenciado para cada redação, principalmente se os gêneros forem diferentess. Este é o aspecto principal da avaliação. 

Para pensar

 A professora que tem o hábito de escrever, é mais tolerante na avaliação dos textos de seus alunos. Ela conhece na prática o processo criativo, por isso tem melhores condições de avaliar seus alunos.
 Não dá para ensinar futebol sem nunca ter praticado o esporte. Então? Como ensinar redação, sem nunca ter redigido um texto na vida?

 


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