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FAGUNDES VARELA (1841 - 1875)

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Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Rio Claro, Rio de Janeiro, em 1841. Iniciou o curso de Direito em São Paulo, transferindo-se, posteriormente, para Recife. Voltou para o sul sem concluir o curso. Um fato que marcou muito sua vida foi a morte do filho. Apesar de profundamente religioso, levou uma vida boêmia e desregrada. Morreu em Niterói, Rio de Janeiro, no ano de 1875.

Poeta de grande cultura e sensibilidade, mas de pouca originalidade, Varela continua a obra dos primeiros grandes poetas românticos brasileiros, e deles herda certas características. É interessante a influência que Castro Alves tem em sua obra: Fagundes Varela o conhece já doente, mas ainda engajado em causas sociais; a partir deste momento, abandona, ao menos em parte, o egocentrismo (sendo esta uma característica de sua geração, representada em sua obra pelo sofrimento devido à morte de seu filho), fazendo algumas poesias de caráter social, semelhantes às do condoreirismo. Escreveu as poesias: "Noturnos", "O Estandarte auriverde", "Vozes da América", "Cantos meridionais", "Cantos religiosos".

Voz do poeta
"Perdão, Senhor, meu Deus! Busco-te embalde
Na natureza inteira! O dia, a noite,
O tempo, as estações, mudos sucedem-se,
Mas eu sinto-te o sopro dentro d'alma!
Da consciência ao fundo te contemplo!
E movo-me por ti, por ti respiro,
Ouço-te a voz que o cérebro me anima,
E em ti alegro, e canto, e penso!

Da natureza inteira que aviventas
Todos os elos a teu ser se prendem,
Tudo parte de ti e a ti se volta;
Presente em toda a parte, e em parte alguma,
Íntima fibra, espírito infinito,
Moves potente a criação inteira!
Dás a vida e a morte, o olvido e a glória!
Se não posso adorar-te face a face,
Oh! basta-me sentir-te sempre, e sempre!
Eu creio em ti ! eu sofro, e sofrimento
Como ligeira nuvem se esvaece,
Quando murmuro teu sagrado nome!
Eu creio em ti! e vejo além dos mundos
Minha essência imortal brilhante e livre,
Longe dos erros, perto da verdade,
Branca, dessa brancura imaculada
Que os gênios inspirados nesta vida
Em vão tentaram descobrir no mármore!"

 




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